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segunda-feira, 24 de outubro de 2011

QUESTÕES AMBIENTAIS I



 Imagem Google

Protesto contra instalação de fábrica de cimento em Rio Maior chega à net

http://maiortv.com.pt/sociedade/cimenteira/noticias024.php

http://www.peticaopublica.com/?pi=P2010N3607

     Peço desculpas por “me intrometer” nos problemas "dos outros" mas,sou defensora acirrada do meio ambiente, trabalho, incansavelmente, em causas ambientais e sei o tamanho da luta e as barreiras que enfrentamos... Deixo claro que não sou, de forma alguma, contra o desenvolvimento econômico e social, muito pelo contrário...

     Viver em harmonia com o meio tornou-se uma verdadeira batalha. Defender o nosso espaço, agregar valores, conviver com as ambigüidades e conjunturas atuais é um verdadeiro ato de malabarismo. Meio ambiente não constitui apenas a parte ecológica das questões que dele resultam, mas todas as esferas da vida, do ser humano e do planeta. O aspecto intrínseco destas relações torna a vivência uma tarefa árdua, cheia de obstáculos e extremamente complexa.

     A importância da saúde ambiental e das vidas inseridas no contexto é a mesma em qualquer parte do mundo.
Cada um de nós é diretamente responsável, através das nossas atitudes e co-responsável em relação às atitudes dos demais.

     Obviamente, entende-se que há grande necessidade de maior e melhor geração e distribuição de renda, de desenvolvimento social e econômico... O crescimento demográfico exige cada vez mais novos investimentos, que culminem no aumento do número de empregos, renda, qualidade de vida e tantos outros fatores benéficos à sociedade e à economia em geral... A isto chamamos de crescimento, desenvolvimento ou tantos outros sinônimos que resultam em melhoramentos e bem estar social, entretanto qualquer projeto, independente do porte ou natureza, trará algum tipo de conseqüência ao meio, haverá sempre um agravo e uma degradação imbricada aos aspectos sociais, políticos e econômicos da região.

     Exatamente neste ponto emerge a razão, a lógica e a ponderação... A atitude humana, propriamente dita... De fato, por mais que tenhamos uma consciência “verde”, ambientalista ou defensora da vida, não encontraremos uma maneira 100% correta de alcançar desenvolvimento e crescimento sem uma ofensiva ao ambiente, isto é práxis, pensar o contrário é utópico... No entanto há sempre uma maneira de harmonizar as ações humanas à preservação ambiental e de maneira sustentável.

     Vivemos um momento histórico importante, são grandes os avanços das tecnologias e do conhecimento. O homem tem evoluído de maneira impressionante e espetacular. A capacidade criativa e inventiva do ser humano é imensurável... O potencial humano é admirável e emocionante... Isto lembra Bertolt Brecht*: “Em vez de serem apenas bons, esforcem-se para criar um estado de coisas que torne possível a bondade; em vez de serem apenas livres esforcem-se para criar um estado de coisas que liberte a todos!”

     Deveria ser esta a convergência das ciências, das técnicas e das tecnologias... A agudeza humana deveria cogitar o equilíbrio e a sustentabilidade do viver, afinal temos um farto e rico acervo normativo, estudos científicos, milhares de meios de contornar os problemas, de se obter desenvolvimento com o mínimo de agressão à vida.

     Talvez o problema maior seja a visão deturpada que uma minoria “poderosa” tem do mundo... Alguns homens, seres políticos, neste maldito raciocinar capitalista de angariar riquezas e obter lucros cada vez mais e mais a tudo corrompem, a tudo degradam... A nada respeitam e, aparentemente, também nada os detém... Conseguem monopolizar tudo... Estão cegos pela ganância, não percebem o óbvio, estão surdos aos rogos da mãe Natureza, indiferentes às súplicas da Vida... E a humanidade segue deixando um rastro de miséria e caos.

     Às vezes custa-nos compreender o sentido do existir, apenas seguimos... Vindos sem saber de onde e indo sem saber aonde, caminhando por um vale onde tudo parece se degenerar, entretanto não podemos nos entregar à inércia, NUNCA!

     “O povo unido, jamais será vencido” é um dos ditos populares mais exatos. Somente através do fortalecimento da democracia participativa e ampla nas decisões públicas consegue-se quebrar o paradigma da cultura do favorecimento ao interesse privado em detrimento ao público onde os investimentos são direcionados não como um meio para a melhoria da qualidade de vida da sociedade e sim como um fim de assegurar o status quo ou ampliar as posições de poder.


       Parabenizo a população de Rio Maior e demais adeptos à causa, tenho plena convicção que os manifestantes não se opõem ao desenvolvimento e crescimento da região, desde que estes sejam alicerçados nos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, transparência, eficiência, obediência às normas e respeito aos cidadãos e ao meio ambiente, mais nada há ao que se opor.

Ceiça Lima - Maceió/AL

* Bertolt Brecht. (10 de Fevereiro de 1898 – 14 de Agosto de 1956) foi um influente dramaturgo, poeta e encenador alemão do século XX.


Ceiça Lima 

http://www.recantodasletras.com.br/cronicas/2616083
 

domingo, 23 de outubro de 2011

STAND BY

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Não se tratava de baixa auto-estima, ela tinha plena consciência de seu valor o problema eram os valores daquele deus grego cheio de atributos. Há tempos decidira “estar” sozinha – era seu lema! Saturada do narcisismo egoísta de alguns clássicos do sexo oposto, optou por “dar um tempo” em sua vida... Bah! Homens pensam serem “reis da cocada preta”.

Porém, este jogara pó de pir-lim-pim-pim para todos os lados e o resultado não poderia ser outro além do feitiço da PAIXÃO em caixa alta e til. Ela, que afinal é humana, esqueceu-se do seu lema e do curioso termo “dar um tempo”. Dar “tempo” para que mesmo? Estava impossibilitada de questionar-se, já a cabeça funcionava às avessas.

O pó lançado foi droga potente e altamente alucinógena... Na verdade a “nóia” não a fez viajar e sim mergulhar profundo e de cabeça. E o amor, que nem “Aurélio” explica, veio logo marcar presença: encontros, telefonemas, flores, conversas infindáveis, noites sem dormir (ufa!! Afinal algo de bom nesta história) e tudo isto associado à uma palavrinha bizarra, a tal “surpresa”. Esta, quando boa, é força motriz de vida e, junta a paixão, tem poder de nos levitar, com direito a nuvenzinhas coloridas e arcanjos tocando sininhos no céu azul...

Mas... Palavrinha detestável esta tal “mas”. Bom, quero dizer, péssimo... No submundo dos relacionamentos existe um jardim, que não é o "Éden", porém povoado de iguais embustes, eis que vem uma “sur-pre-sa” assim, separada em sílabas e entre aspas, absorvendo tragicamente todos os pózinhos mágicos antes espargidos...

E lá estava o céu de nuvenzinhas coloridas desabando via a célebre sentença que deuses imaturos, inseguros, dissimulados e inconseqüentes proferem: “- Não a quero magoar, mas...” Deuses gregos não têm criatividade, ao invés de usar um porém ou todavia, bradam um solene “mas” seguido do pior que pode ser dito: “não mereço você...”

Putz! Que falta de imaginação! Ah infeliz, não merece mesmo! Então, determinada, lança-lhe um último olhar 43, abre a bolsa, pega o telefone celular, apaga-lhe o número da agenda, chegando à casa rasga as fotos, deleta todos os arquivos guardados, toma um banho e fica em “stand by”.

Ceiça Lima

O CARRO VELHO

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O tempo esquecera-se de passar naquele sítio, há cerca de 50 anos em nada mudara. Gravura de lembrança assentada em moldura. Tudo naquele lugar tem cheiro de meninice... Cheiro de amor, carinho e proteção. Tudo é exatamente como sempre foi, em nada mudou.
No cenário só falta mesmo a presença física de Tia Nina, sertaneja forte, trigueira de sorriso e semblante calmos... Uma calma tão profunda que, a primeira vista assustava, parecia dura e por vezes até fria... Era a máscara, o invólucro onde ela se escondia e escondia toda a dor e sofrimento pelos quais passara. Ali dentro pulsava um coração brando, bom e frágil... Tão frágil que a levou a morar com os Anjos.

Na frente da casa o velho umbuzeiro ostenta o exuberante verde das folhagens e entre estas a acidez madura dos seus frutos... Os frutos mais “doces” que jamais provei na vida. Nos fundos o pé de tamarindo, palco de tantas brincadeiras e festanças da criançada... De frutos tão ou mais “doces” ainda.
As plantas, arbustos e vegetação rasteira se embaralham no alvoroço alegre e suave do colorido das flores e espinhos dos cactos. E lá por trás dos mandacarus... A janela da cozinha! Recinto mágico de onde saiam milagrosas guloseimas quentinhas preparadas, por Tia Nina, em panelas de barro e fogão de lenha... A casa parecia um parque de diversões, um paraíso onde os sonhos e a imaginação infantil não conheciam limites e nem fronteiras, só felicidade...

Bem à frente do velho umbuzeiro há ainda o imenso pé de jasmim que enche o ambiente de um perfume indizível e flores que forram de branco o solo seco do pequeno torrão. Bem ali, no tapete branco, um carro velho esquecido e intacto... O velho carro de boi continua ali, com jeito de saudade, sorridente e calmo... De uma calma tão profunda que, a primeira vista assusta, parece dura e por vezes até fria...

Tia Nina não foi morar com os anjos... Incorporou-se no esqueleto daquele velho carro de boi e ali reside faceira, num sorriso farto pintado de azul, fumando seu velho cachimbo e contemplando a beleza multicor das lagartas-de-fogo.

Ceiça Lima

http://www.recantodasletras.com.br/cronicas/2727625 

CORRENTEZAS

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Era noite de festa e, repentinamente, ele dirigiu-se ao conjunto que animava o ambiente, falou algo para a cantora, pegou o microfone e disse com voz firme: " - Vou cantar uma música para minha Amada!"

     O admirável é que aquele homem era a timidez e a polidez em pessoa, ninguém jamais o imaginara tão extrovertido, estava mesmo "solto" àquela noite. Ela conhecia aquele lado "menino" do seu amado, mas nunca imaginara que chegasse a se mostrar tanto. Foi mesmo uma grande e bela surpresa, não apenas para ela, mas para todos os presentes.

     Cantou Love me Tender, imitando ao Elvis... Cantou Love me Tender, diante dela, olhando-a nos olhos... Cantou Love me Tender com a alma, era mais que uma declaração de amor, algo transcendental o tomara. Momento ímpar que a todos emocionara...

     Hoje ela não sente mágoa ou tristeza, apenas uma doce saudade. Ela, ela mesma, ela própria, mesmo com todo amor que por aquele homem nutria, o deixou ir... “- Não me deixe ir embora!”, ele dizia. Ela por sua vez, respondeu-lhe: “ – Vai, segue teu caminho, está na hora!” E abraçados, entre lágrimas e sorrisos ali se despediram, não se apartaram, isto não...

     As marcas dos anos de convivência estavam seladas, marcadas para sempre... Inexplicavemente a vida, por vezes, se faz correnteza e as pessoas precisam partir. Disto ela sabia, por isto, o deixou ir. Ele precisava seguir... Precisava seguir caminho agora sem ela. Não se pode conter a correnteza dos rios...

     O amor de ambos? Jamais morreu, também tomou forma de correnteza, segue os desimpedimentos dos rios e anda muito ocupado alimentando as forças das águas.

Ceiça Lima